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ECONOMIA

O que muda na economia com a volta do Campeonato Brasileiro?

Os campeonatos de futebol são responsáveis por fazer girar valores consideráveis da economia. Entenda como a volta do campeonato brasileiro impacta nos mais diversos setores

25/08/2020 19h54
Por: Redação

 

 

 

 

 

Grandes empresas e companhias das mais variadas áreas, que são as maiores pagadoras de dividendos, estão entre as patrocinadoras do futebol brasileiro.

Esse esporte, paixão de boa parte da população, também é fundamental para alguns setores da economia, pois envolve muito dinheiro tanto em patrocínios, quanto em compra e venda de jogadores, comerciais de televisão, venda de uniformes e torcidas nos estádios, além claro, dos direitos de transmissão dos campeonatos.

Este ano, por causa da pandemia do novo coronavírus, os desafios foram muitos para clubes e empresas que tiverem que se reinventar em meio ao isolamento social e falta de verbas.

 

Planejamento logístico

Para os clubes envolvidos, a edição 2020 do Campeonato Brasileiro representa uma batalha a ser vencida não apenas em campo, mas também na logística a ser utilizada.

De acordo com a Agência Estado, o anúncio da CBF de que a competição continuará com 38 rodadas e deve durar de agosto até fevereiro de 2021 disparou nos clubes um processo de repensar o cronograma de voos, escolhas de hotéis e preparação de locais de treinos em outras cidades. Tudo isso, sem descuidar da saúde dos jogadores e equipe técnica.

Em meio as características regionais e à sobreposição de competições, que ainda se acumulam com Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana até o início de 2021, o Brasileiro retomou com uma edição de desafios adicionais em relação aos anos anteriores.

 

Quais os impactos na economia?

Além de cuidados com a saúde dos jogadores, atenção redobrada às normas de higiene e cuidados especiais com a logística de jogos e treinos, as mudanças também terão um impacto considerável na economia, visto que o futebol arrecada bilhões todos os anos.

Entre negociações para reduzir salário, busca por linhas de crédito oferecidas pela CBF e renegociação de dívidas, os clubes brasileiros pouco a pouco já começam a se precaver para um dos maiores impactos financeiros da história.

 

Aumento das dívidas

Segundo especialistas, a paralisação do calendário causada pela pandemia do novo coronavírus deve fazer com que os clubes nacionais tenham uma retração de quase R$ 2 bilhões em comparação a 2019 e voltem ao patamar financeiro similar ao encontrado há quatro anos.

A disputa de jogos com os portões fechados, que deve acontecer até o fim do ano, é a maior responsável por esse grave impacto.

A empresa Ernst & Young, que realizou uma pesquisa sobre o tema, tenta medir o impacto financeiro no futebol brasileiro dentro de dois cenários.

No mais otimista, a retração seria de R$ 1,34 bilhão enquanto que na pior estimativa, o valor seria de quase R$ 2 bilhões, mais precisamente R$ 1,92 bilhão.

Os responsáveis pelo estudo ressaltam ainda que toda uma cadeia de receitas ligadas ao futebol sofrerá duros golpes.

 

Impacto nas televisões

O fato de as partidas não terem público, deve impactar não só na bilheteria, como também na diminuição de 40% do quadro dos participantes nos programas de sócio torcedor.

Há também uma previsão da queda de recursos até vindos do pay-per-view, pois há uma estimativa de que a crise econômica leve até a 40% dos assinantes a cancelarem os pacotes. 

Poucos clubes também vão ter condições financeiras de se apresentar de forma digna e muitos terão problemas sérios.

Na prática a pandemia não mudou nada, mas apenas acelerou processos. Quem já estava mal, piorou numa velocidade maior.

 

Demissão de funcionários

Desde a parada do calendário de jogos, que aconteceu em março, os clubes brasileiros já começaram a se movimentar para diminuir os prejuízos. Das Séries A e B do Brasileiro, somente o Red Bull Bragantino não fez reduções salariais e nem demitiu funcionários.

Porém, muitos outros clubes precisaram fazer reajustes e contar com o auxílio da criação da linha de crédito de R$ 100 milhões criada pela CBF.

 

Atraso nas premiações

O cenário se torna preocupante porque não há sequer previsões do recebimento de grandes receitas este ano, principalmente as verbas que vinham de premiações. 

A CBF costuma distribuir aos campeões da Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro mais de R$ 100 milhões.

No entanto, como essas competições devem se prolongar até o início de 2021, os clubes terão de fechar a temporada sem esses recursos para bancar despesas maiores, como o 13º salário.

Além dos valores altos movimentados pelos clubes, o impacto acontece também nos pequenos. Bares, pubs e demais locais que recebiam torcedores e tinham nesses jogos suas maiores receitas, se viram sem alternativa para suprir esse impacto.

 

Há soluções?

Este ainda é um cenário novo no mundo e as previsões são ainda na base de testes e estudos. Não existe alguma forma comprovada de superar essa crise e aumentar as receitas, com todas as condições que a pandemia colocou nos jogos e torcedores.

Enquanto o futebol não tem data para retornar da maneira como era, os dirigentes dos clubes têm discutido possíveis alternativas para a crise e a solução mais palpável no cenário é o de acelerar mudanças que já estavam em discussão.

Segundo especialistas, a transformação em clube-empresa, investimento em ações de marketing e a possibilidade de renegociação de dívidas do Profut (Programa de Refinanciamento Fiscal do Futebol Brasileiro) são algumas ações que poderão ser tomadas para minimizar o impacto e tentar salvar o futebol em meio a essa crise.

 

 

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